Ninguém no mundo ia conseguir entender o desespero que se passava por mim, a não ser que estivesse no meu lugar. ''Acordei'' do susto e certifiquei que meu filho estava bem. Ele chorava sem saber o que havia acontecido. Qualquer um no meu lugar ficaria louco. Me soltei do cinto para ver se havia acontecido algo com ele. O soltei da cadeirinha também e o abracei.
- Henrique, cê ta bem filho? Desculpa a mamãe, eu vou ligar para o Luan, mas eu quero saber se você ta bem filho... - Ele afirmou que sim e parou de chorar. Henrique passou a mão em minha cabeça para me mostrar que estava sangrando bastante. Me desesperei mais ainda, queria sair com ele dali, mas a chuva só aumentava. Peguei meu telefone e liguei para Luan, ele não atendeu. Impressionante, quando eu mais precisava, menos oportunidade tinha. Liguei novamente e ele não atendeu. Olhei para Henrique novamente para ver se ele não havia mesmo se machucado. Suspirei aliviada ao ver que não. O deixei deitadinho no banco de trás e sai na chuva forte que havia ali. Fui ver via alguém passando pela a estrada, mas acho que não preciso dizer pela milésima vez que a chuva estava forte e prejudicava a minha visão. Sem avistar nada voltei para o carro e meu filho me pediu para não sair mais do carro. Achei melhor mesmo. Graças a Deus não havia raios, o que é difícil pois numa chuva dessas com certeza haveria. Tentei comunicar o Luan várias vezes, mas não deu certo. Lembrei que tinha o número da Bruna, que uma vez o Luan me passou, se eu precisasse falar com ela ou com seus pais. Disquei e por sorte ela atendeu.
- Bruna, pela mor! Acho que a ligação vai cair, aqui o sinal está ruim e está chovendo muito! Bruna... - Eu gritava.
- Oi Laura! O que houve? Estou com medo, o que houve?
- Bruninha, eu to no meio da estrada, eu bati o carro e aqui ta chovendo muito, não passa ninguém por aqui, ou eu não vejo, ta muito difícil... - Falava alto para ela me escutar.
- Ai Laura, que horror, fica calma! Não to em casa mas irei avisar minha mãe, porque de certo o Luan não está atendendo né? Laura, você ta bem?
- To com muita dor de cabeça, e ela ta sangrando... O Henrique ta aqui comigo, mas ele está bem, ele ta bem... - Peguei na mão dele.
- Calma, vou ligar pra minha mãe, calma amiga! - Ela desligou. Depois de alguns minutos vi que Bruna não retornou, mas não por culpa dela e sim por conta do sinal, que ali não existia mais. Mas quando a chuva acalmou o socorro veio de outra forma, policiais rodoviários bateu no vidro do carro que estava fechado. Eles pediram para que nós retirássemos nossos pertences dali. Peguei apenas minha bolsa e meu celular que estava em minha mão, Henrique também não pensou em muita coisa material, só pegou seu ursinho que mais adorava e sua fralda de pano que ele adorava colocar em sua boca. Entramos na viatura e questionei porque iria ficar dois policiais para trás. Eles me orientaram que dois deles ficariam ali para recepcionar o guincho. Pediram o número do meu celular e que quando o carro estivesse em uma oficina eles me ligariam. Não liguei para carro nenhum, apenas queria tomar um remédio para acabar com aquela dor.
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