Mesmo abrindo os olhos com dificuldade, eu podia perceber que eles estavam comemorando algo, mas minha voz não saia direito, e eles nem viram que eu estavam acordada e saíram do quarto. Meio sem forças, voltei a dormir e só acordei depois de algumas horas, com a Marizete segurando Brenda na minha frente. Sorri ao ver aquela cena e tentei me espreguiçar, havia dormido muito e precisava esticar meu corpo, mas minha vontade não foi bem sucedida, eu estava com alguns aparelhos, não sabia o motivo, mas estava.
- Mari? - Falei meio baixinho e ela sorriu.
- Oi meu anjo.
- Aonde estão meus filhos? Eles estão bem? - Eu perguntei.
- Olha a Brenda aqui, que linda observando a mamãe. - A Mari respondeu, mostrando a Brenda. Eu sorri gigantescamente.
- Não estou nem podendo dar atenção a ela, estou praticamente dopada. - Falei bocejando.
- Não se preocupe. Ela está sendo muito bem cuidada, seu médica pediu para as enfermeiras darem leite do banco de leite para a bebê, pois você não está em condições. Mas está tudo bem, não se preocupe. Estamos cuidando de todos. - Mari falou, toda boazinha.
- Creio que isso vai acabar logo. - Falei.
- Vai sim.
- Cade o meu filho? - Eu perguntei.
- Está se recuperando, achamos um doador para ele. Os médicos realizaram a cirurgia e ele está bem. - Mari falou. Meu coração respirou aliviado ou ouvir aquilo.
- Eu to muito fraca. - Contei para Marizete, que me observava como uma mãe observa um filho. Eu a considerava uma mãe.
- Eu sei, meu amor. Mas tudo isso vai passar. Sua pressão abaixou, tivemos que te acalmar com remédios, mas o pior já passou e jajá você poderá curtir os seus filhos que são loucos por você. - Ela disse para mim, como uma voz bem calma e protetora.
- Cadê todo mundo? - Perguntei a ela, curiosa.
- Estão cuidando de Henrique, ele também tomou remédinho, que nem você, mas o dele foi anestesiante, para não sentir dorzinha nenhuma e pode ter certeza que não está sentindo mais nada. - Ela respondeu.
- Cuidem dele por mim. - Eu falei sorrindo.
- O Luan queria vir te ver aqui, mas ele ainda não criou coragem para te ver sedada, ele não queria que a gente fizesse isso, mas entenda, foi o melhor a ser feito. Você estava muito nervosa, e acabou de fazer um parto, precisa de cautelas. - Mari explicou. Eu sorri ao saber de Luan.
- Ele está preocupado comigo? - Perguntei.
- Sim, ô se está! Ele é louco por você, e você por ele, que eu sei. - Mari disse dando uma risadinha.
- O que ele achou de Brenda? - Perguntei.
- Ele acha ela a coisa mais linda do mundo. Os olhos dele brilham ao vê-la. Toda hora ele vai no berçário e fica espiando ela. - Ela respondeu e eu sorri.
- Eu amo ele.
- Nós sabemos, ele sabe. Logo vocês estarão juntos. Mas agora vou te deixar descansar. Nós amamos você, Laura. - A Mari disse, e ao ouvir aquela frase, me senti a pessoa mais amada do mundo. E foi assim que eu sempre desejei me sentir. O que faltou de amor entre minha família de sangue, ganhei com a família de Luan, que me pertencia, eu os considerava demais. Antes de Mari sair, ela meio que colocou a Brenda em meu colo e eu a beijei do jeito que pude, pois a posição que eu estava não era muito favorável. Logo depois, ela saiu e me deixou descansar. Foi isso que realmente fiz, fechei os meus olhos e acabei dormindo de novo. Depois de algum tempo, eu não sabia certinho quanto, pois estava sem noção naquele hospital, eu abri meus olhos e senti um alívio. Eu não estava mais com nenhum aparelho e meu corpo estava leve. Não estava cansa e tudo ali parecia estar tranquilo. Confesso que estava, mas até eu me lembrar dos meus filhos. Na hora eu pensei em me levantar e ir atrás deles, mas eu mal sabia aonde encontrá-los. Não sabia se Brenda havia recebido alta, e nem se Henrique havia conseguido um doador de sangue. Minha única certeza era que Deus estava comigo e eu sabia que ele nunca falhava. Me sentei na cama sem muito o que fazer, e por minha sorte, uma enfermeira me viu acordar e veio até mim. Pedi a ela então que chamasse o Luan e novamente por minha sorte, ele era famoso, então todos o encontrariam com facilidade naquele imenso hospital. Ela então foi atrás dele, e o encontrou. Ele foi até o quarto, mas ficou na fresta da porta apenas me observando. Pude ver que Brenda estava com ele, e então o meu coração acelerou.